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Luiz Augusto Crispim          ©Guy Joseph

O Gigante das Letras

Por Higino Vieira
*

Acredito que todo mundo já ouviu falar na história do Gulliver, aquela que narra o estremecer da terra dos pequenos com a queda de um gigante. Pois é, a Paraíba estremeceu nesses últimos dias com a morte do gigante das letras, Luís Augusto Crispim.

Gigante na cultura, na sensibilidade, na inteligência, na comunicação, no direito, nas amizades e até mesmo nos seus 1,90 m de altura.

Não tive-o como próximo, mas sempre o vi próximo dos meus. Próximo do meu avô Higino, dos meus tios e, principalmente, do meu pai, Hilário Vieira Filho, a quem prestou uma bela homenagem na ocasião de sua morte com uma belíssima crônica publicada no Correio da Paraíba, intitulada “Hilário de La Mancha”.

Nessa crônica, Luís Augusto comparou Don Hilário ao famoso personagem de Miguel de Cervantes que entrega-se à leitura de romances, perde o juízo, acredita que os romances são verdadeiros e decide tornar-se um cavaleiro andante. A sensibilidade de enxergar o velho Hilário sob esse prisma jamais me foi esquecida. Realmente, o juízo do meu Pai era baseado em cima das horas de leitura que lhe alimentavam a alma e traziam para si a sagacidade do intelecto e a espontaneidade do bate papo noturno inesquecível que ainda é vivo nas lembranças de muitos.

Esse vínculo de conceito paternal que relaciona minhas lembranças ao velho Luís Augusto se dá pelo carinho que sinto por seu filho Lula. A vida não nos fez muito próximos, mas nas vezes em que nos encontramos o orgulho que sentimos da amizade dos nossos Pais é o assunto principal.

Imagino como Lula e sua família estão se sentindo. A dor é imensa, o buraco no peito é gigante e sobra chão pra pouca perna. Falo isso com a propriedade de quem já passou por essa provação do destino e afirmo, ainda, que o mais importante nessas horas são os ombros amigos. Quando da minha vez incorporei o pensamento de que só me restava a responsabilidade de um legado a seguir e uma imensidão de amizades para cultivar. Faço votos que consigas fazer o mesmo.

Lula, desejo a você e a sua família muita força, luz e paz de espírito nos vossos corações. Orgulhem-se do vosso gigante que jamais será subtraído dos corações e mentes dos paraibanos e acreditem que o descanso foi uma dádiva, não uma penitência.

Fiquem com Deus!

*Transcrito do blog
http://higinovieira.blogspot.com/ de Higino Brito Vieira





Luíz Augusto Crispim  ©Guy Joseph/2002

Luíz Augusto Crispim, o Fotógrafo

Por
Guy Joseph

O falecido cronista Luíz Augusto da Franca Crispim, além de ser detentor de um texto, dos mais saborosos, sabia dizer das inquietações que adivinhava na alma de seus leitores. As suas observações eram as de um repórter atento aos significados e símbolos do nosso cotidiano, traduzindo com maestria, o que via e vivia, nos seus escritos. Mas, só a palavra não satisfazia a sua sede de se expressar e se comunicar.
Pedalando a sua bicicleta, com uma câmera Pentax à tira-colo, Crispim percorria as ruas da sua cidade, capturando imagens de grande impacto visual e inevitáveis emoções. Poucos, sabiam dessa sua atividade, como fotógrafo. E, fotógrafo dos bons! Talvez, por pura modéstia, Crispim nos legou apenas um ensaio fotógrafico, publicado em livro, em 2001, sob o significativo título de "Reparos da Vida", publlicado pela A União Editora, com projeto gráfico do mestre das artes gráficas, Pontes da Silva.  São 75 fotos em preto e branco, reunidas em grande formato, de 20X29cm e que, a cada virada de página, podemos nos deparar com o olhar do fotógrafo Crispim, que não deixa escapar a oportunidade de registrar, preciosos momentos de vida, se exibindo para suas lentes. Crispim teve o privilégio de poder  encontrar, inúmeros "momentos decisivos", preconizado pelo grande fotógrafo francês, Cartier Bresson.
Em dedicatória, no exemplar que me presenteou, Luíz Augusto diz: " Ao amigo Guy Joseph com o pedido de indulgência para este cego que espera, um dia, enxergar. O abraço de Luíz Augusto".
Saudades do poeta, escritor e fotógrafo Luíz Augusto Crispim, que soube ver e enxergar, como ninguém.
 


A Espera II   ©Luíz Augusto Crispim


Artesão        ©Luíz Augusto Crispim


Barco na Areia       ©Luíz A. Crispim


Brincadeira Interrompida   ©Crispim


Natureza Morta III     ©Luíz Crispim


Olhos Marejados    ©Luíz A. Crispim


Velho Marinheiro    ©Luíz A. Crispim


Saudades     ©Luíz Augusto Crispim


Violeiro        ©Luíz Augusto Crispim


Barco Proibido       ©Luíz A. Crispim
(Clique nas fotos para amplia-las).






Cavalo Marinho Infantil do Mestre João do
Côco.                                     ©Guy Joseph


Como a Fórmula da Água

 Por Petrônio Souto*

 

O turismo que se pratica fora do chamado primeiro mundo só interessa ao capital internacional, predador e egoísta por natureza. As grandes redes hoteleiras fazem a festa com esse tentáculo da globalização. Mas, no fundo, esse tipo de turismo não passa de uma verdadeira invasão de domicílio.

 

Países como o Brasil estão sendo devastados por uma atividade turística sem nenhum compromisso com usos, costumes e cultura locais, muito menos com o desenvolvimento sustentável, verdadeiro dogma para qualquer empreendimento que queira ter endereço no chamado primeiro mundo.

 

Esse turismo que nos é imposto só tem trazido prostituição, drogas, jogo e doenças. No final da história, ficamos com todos os ônus e os gringos e seus espertos sócios nacionais com todos os bônus.

 

É preciso reverter essa lógica, se quisermos realmente pensar num turismo que não seja um tiro do pé. O provincianismo, a calma de João Pessoa, por exemplo, são ótimos produtos. Um turismo da terceira idade tem tudo a ver com a nossa Capital. Pena que a mania dos que cuidam do nosso turismo é querer transformar João Pessoa num destino igual aos grandes destinos turísticos do mundo.

 

Sonhar com João Pessoa sendo exatamente igual aos grandes destinos turísticos do mundo é um absurdo sem tamanho. Dizer que João Pessoa pode vir a ser uma Cancún do Nordeste Brasileiro é a maior tolice. João Pessoa tem que continuar sendo João Pessoa, calma e provinciana como ela é. O turista vem a João Pessoa mais pelo que ela é do que pelo que ela tem de igual aos outros lugares.

 

Foi a conclusão a que cheguei depois de bater um papo maravilhoso com um casal de turistas estrangeiros, criaturas já maduras, bem postas na vida e bastante viajadas, na calçadinha do Cabo Branco, à tardinha, na véspera de Natal.

 

Não sou da área, mas tenho a mais absoluta consciência de que não estou agindo como macaco em casa de louça ou descobrindo a pólvora ou achando o ovo de Colombo. Depois da conversa com os gringos fiquei com aquela impressão de que o turismo é simples como a fórmula da água. A gente é que complica as coisas com essa mania de querer imitar os outros.

*Petrônio Souto é jornalista
 





Uma das fotos do livro de Reginaldo


Capa do livro de Reginaldo Marinho


Livro será lançado na terça 23/12/2008

Uma Cidade Mais Vegetal do Que Urbana

Reginaldo Marinho*

Na década de sessenta, o escritor José Américo de Almeida havia chegado com bastante antecedência para uma cerimônia na Reitoria. Wilson Marinho e outros professores presentes tiveram a iniciativa de convidá-lo para ver a cidade do alto do prédio da antiga Reitoria da UFPB, no centro da cidade.
O homem permaneceu calado por muito tempo. Olhava calmamente de um lado e de outro da cidade. Dali podia avistar Cabedelo, do lado esquerdo, Tambaú bem à sua frente e o Cabo Branco à direita. A mata do Buraquinho, para onde estava sendo transferida a UFPB, se destacava naquele cenário. Tudo verde. As casas se perdiam no meio dos quintais arborizados. Depois de uma longa observação ele disse: "João Pessoa é mais vegetal do que urbana." Com esta frase, José Américo prenunciou o destino de João Pessoa, uma cidade construída para ser verde.
A cidade crescia. O êxodo rural decorrente da pobreza no campo e da ausência de políticas públicas eficientes, para manter o homem em seu meio e fortalecer a economia rural, resultou no inchamento das capitais; João Pessoa sofreu essa pressão migratória, expandindo suas fronteiras.
Gilberto Freyre elaborou um conceito para esse fenômeno que se aproxima da leitura de José Américo. Ele disse que o Brasil estava se transformando em uma civilização rurbana, inventando esse vocábulo composto.
É isso aí. O rural invadindo as capitais. Um urbanismo, ao seu modo, rural. Essa migração trouxe para a cidade uma população rural sem qualificação profissional. O crescimento desordenado impôs grandes mudanças urbanas.
A idéia de fazer estas fotos está desvinculada de qualquer estudo ou proposição sociológica, arquitetônica, histórica ou mesmo turística. Ao fazer essas imagens, tive a intenção de registrar em fotografias o que as minhas retinas fixaram em meu olhar desde a infância e, agora, quero compartilhar com você o que os meus olhos vêem.
São imagens que evocam um tempo romântico, em que a gente tinha prazer e liberdade de andar pela cidade, de sentir cada rua, cada ladeira e apreciar cada monumento dessa preciosa urbe. São fotos da Lagoa, da Bica, do Varadouro, do Cabo Branco, da Arte Sacra, do Sanhauá...
Um passeio visual pela cidade que se estende entre o rio Sanhauá e o oceano Atlântico é apaixonante. O patrimônio histórico nos remete a um tempo longínquo que sugere a dimensão da nossa capacidade de criar nas várias linguagens artísticas, tudo com muita qualidade; com destaque para o barroco rico em preciosos ornamentos encontrados na arquitetura religiosa.
Os edifícios compostos pelos conjuntos do convento de Santo Antônio e igreja de São Francisco, o convento e igreja de São Bento e o conjunto Carmelita são monumentais. Sem qualquer disciplina, atendi apenas aos meus sentimentos.
As imagens desse repertório latente somam-se às mais modernas, com a inclusão da rica arquitetura contemporânea que se faz na Paraíba. Confesso que esse trabalho se transformou em puro deleite, é isso que pretendo que você experimente agora. Aprecie esta cidade.




O Tempo e a Luz

(Texto na contracapa do livro)


Ao cumprimentar um dileto amigo ele disse: "Estou correndo contra o tempo." Fiquei pensando como alguém escolhe um adversário que existe desde o início de tudo e nunca terá fim, é uma escolha equivocada. Considero o tempo um aliado permanente. O tempo e a luz. Quem se dedica à fotografia cultiva a harmonia entre o tempo e a luz. Viver cada momento na cumplicidade da luz.
A sintonia com o tempo permite que o olhar esteja em permanente vigília, um modo budista de ver e sentir o universo que nos cerca. Sem essa dedicação ao tempo, nos perdemos em frações temporais e os momentos fugidios não esperam por você. Essa é uma necessidade pura. Quando cultivamos essa sintonia, vemos os fatos com mais clareza, tudo passa a ter um significado e cabe a cada um de nós a captura dessas imagens sem esforço, um gesto natural.
A luz, companheira sempre presente, dá beleza e relevo a tudo. Os objetos ganham definição, nitidez e cores. A própria etimologia sintetiza na fotografia a linguagem da luz. O tempo e a luz estão presentes em tudo e muitas vezes ninguém percebe. Você não age para o coração bater. Não se sente o coração pulsar em todos os momentos de nossas vidas. Tem gente que só descobre o coração tardiamente, na hora do infarto.
No exercício do magistério, quando lecionei geometria descritiva, encontrei o outro elemento complementar, a compreensão dimensional, o espaço. A régua e o compasso se uniram ao tempo e à luz formando um conjunto instrumental indissociável que subsidiam um simples gesto de fotografar, permitindo que você perceba através das imagens capturadas um mundo que não foi percebido antes. Uma imagem que expressa apenas aquele momento conjugado por esses fatores jamais será vista novamente, com aquela mesma dimensão. Um rio jamais será o mesmo rio, ele é único em cada instante, em cada espaço e tempo.
Esse é o compromisso do fotógrafo, traduzir a beleza aparentemente oculta nas formas, nas cores e na luz. Fotografar é um ato generoso que congrega grande prazer na fixação e compartilhamento dessas imagens.





Fazendo a diferença

Prefácio de Gonzaga Rodrigues*

Nota-se claramente que a grande diferença visual entre a cidade nova, flechada de edifícios, e a cidade antiga montada entre os dois rios, é a ausência de características marcantes no adensamento vertical que vem emergindo.
Com a máquina focada para o mar, a partir do Altiplano, do Miramar, do Jardim Luna ou da avenida-shopping que é hoje a estrada de Cabedelo, a superposição de andares não faz diferença da que subiu nas demais capitais vizinhas. Pelo feixe de torres céu acima, tanto faz a engenharia de João Pessoa como a de Fortaleza, Natal, Maceió, salvando-se Recife, apenas pelo privilégio de seus acidentes naturais.
A diferença continua nas ruas e torres da cidade antiga ou no destaque de um parque como o nosso Sólon de Lucena, postal que dá na vista de qualquer turista, independente da curtição de suas lentes.
Reginaldo Marinho, jornalista, inventor e fotógrafo, identifica diferenças para melhor, em cores e linhas arquitetônicas, na nossa paisagem de andares. Esses andares não lhe parecem totalmente cegos, iguais, monótonos, como a mim sempre pareceram, observação que deu na vista também de meu amigo Toinho Cabral. Reginaldo consegue ver variações de cores e de linhas.
E tenta mostrar isso num novo apanhado fotográfico. Novo não só por estar sendo produzido, ainda em tratamento de estúdio, mas pela angulação.
O que sempre achei difícil, ele conseguiu: enquadrar a floresta vertical entre pontos característicos da nossa orla, o Cabo Branco e o Hotel Tambaú. Soube encontrar uma janela do último andar de Miramar que salva esses dois pontos do tapume de edifícios. Reconhece-se a João Pessoa das origens, balizada pelo Cabo Branco, e a mais nova, a que começou a se expor para o mundo turístico a partir do Hotel Tambaú.
Em seu acervo de filho amantíssimo da cidade, sofrido e culto, há lugar para o histórico, o sagrado, o monumental e também para o que aflora do pessoense com os seus jardins. As flores cultivadas e as dos passarinhos.
Ele conseguiu o instante feliz, protegido pela hora do sol, a luz molhada das folhas e achega de um beija-flor sedento num jardim campestre que sugere o mais natural cartão de Natal da cidade. Uma saudação e uma lembrança dos seus dons ao colosso de cimento da nova febre construtora.
Mais do que um novo álbum fotográfico, Reginaldo Marinho redescobre a cidade que ainda resta, ou melhor, que sobra da massa gigantesca concretada diante dos nossos olhos.

*Gonzaga Rodrigues é jornalista e escritor

*Reginaldo Marinho é fotógrafo, e inventor, único brasileiro premiado com duas medalhas de ouro, na Bélgica e em Londres.





OLHA O PRESENTAÇO DE GREGO AÍ, GENTE!

Luiz Alberto Machado*

Gentamiga, cadê a indignação? Vamos colocá-la em dia para adimplir com a cidadania? Vambora!

Negócio é o seguinte: eu sempre soube que atirar com espoleta dos outros é bom demais! E quando se trata de verba pública, ôxe, ai é que os prestidigitadores do poder fazem festa, distribuem presentes, obram gracinhas filantrópicas, se arrumam, se ajeitam e se tornam verdadeiros reis da cocada preta com a zoada de girândulas queimando no centro. Assim, também, até eu sou o melhor, ora. Mas tenho vergonha na cara e leseira suficiente para tentar ganhar a vida numa labuta daquelas de suar o couro na lasqueira mesmo.

Mas quem nunca viu um prefeito chegar pro mandato arrastando uma cachorrinha magra daquelas guenza vira-lata com a língua de fora e só pelanca, com uma mão na frente e outra atrás, sem ter nem onde cair morto? E quem também não viu esse mesmo sair com um montão de posses, caga-raio, barrunfeiro e dono duma riqueza nebulosa que todo mundo sabe como foi que ela foi conquistada, mas fica todo mundo – Tribunal de Contas, Receita Federal, LRF, pqp e povo em geral –, tudo calado com o rabinho entre as pernas, hem? É, o negócio só pipoca mesmo na maior fedentina quando um dos acoloiados se sente preterido. Aí bota a boca no trombone e o dedo na ferida. U-hu! Depois vem aquela corda-de-guaiamum arrastando toda mundiça pro opróbrio popular. O circo pega fogo mesmo! E como pega. Depois tudo é esquecido e vira lalari lari lará.

Pois é, dá pra imaginar como é que funcionam todas as esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no Brasil. A gente já está careca de saber que nenhum deles resiste a uma fiscalizaçãozinha mixuruca que seja. Basta só uma ameaçazinha de nada que logo tudo treme frouxo. Vixe, é um deus-nos-acuda dos brabos, rebuliço de, no fim, a gente restar confundido sem saber o que é que foi, quem é quem ou no que deu.

Acabei de crer no ditado: pimenta no procto do brasileiro é o manjar dos prazeres deles! Xô, pra lá, meu! Tô fora! Por isso que soletro língua solta, justo agora, quando todo mundo está revestido do espírito natalino e só ligado nas comemorações de final de ano, que ninguém está aí para quem pintou a zebra nem para o que está queimando e queimará no rabo da gente até depois do carnaval para todo o sempre, amém, simplesmente foi aprovada a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 333/04 - , pela Comissão de Constituição e Justiça – CCJ -, do Senado Federal, aumentando o número de vereadores nos municípios, o que representa, somente, mais 8 mil lelezinhos de boca-aberta na salutar profissionalização dos mamadores da patriamada. Pois é, serão 59 mil a mais para embananar a vida dos municípios brasileiros - e a nossa também, é claro. Isso sem contar outras coisitas que os nossos representantes do Legislativo Federal estão aprontando num verdadeiro pacotaço para 2009.

Ih, parece que vai ser um infeliz ano novo mesmo! Se liga aí! Vixe! E adianta chamar na grande? Vamos tentar. Como a gente só está mesmo voltado para as férias do Ano Novo até o Carnaval, é bom mesmo cada um estar ciente antes de se lascar o resto do ano que vem que, simplesmente, essa PEC é defendida pela maioria dos congressistas, contrariando determinação do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, além de ser jogada como um cuspe na cara de todo brasileiro. É muito desrespeito para se agüentar calado, né não?

Os cara-de-pau do Congresso Nacional agora vão levar essa nefasta proposta para ser votada em dois turnos no plenário, já tendo comboio de lobby e tudo, o que comprova que a sede da mamação na cacunda da gente é maior do que se possa imaginar.

Pode um negócio desses? Durmo não. Aí eu pergunto: cadê a indignação, gente? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá.
 

*Transcrito do blog Tataritaritatá do poeta e escritor pernambucano Luiz Alberto Machado



Ponta do Cabo Branco         ©Guy Joseph

DUAS VEZES NÃO SE FAZ

 

Por Petrônio Souto*

 

 Há lugares que possuem um magnetismo tão forte que prendem o visitante para sempre, desde o primeiro contato. É impossível esquecê-los. São coisas que passam a compor a nossa história pessoal. Seguramente, um desses lugares fantásticos é o Cabo Branco, em João Pessoa, Paraíba.

 

Num dia de maré baixa, experimente sair a pé da Praça de Iemanjá para contornar o Cabo Branco, indo até a Ponta do Seixas, voltando em seguida, no mesmo ritmo, sem se preocupar com o relógio e com o cotidiano ordinário da cidade.

 

Tudo contribui para que o percurso se torne um momento transcendente: o silêncio de claustro, o mantra das ondas, o assovio das lufadas salgadas, o caminho com aparência de tapete luminoso, entre a falésia imponente e o mar calmo, o rumor sutil dos nossos passos sobre a areia. Para completar o encantamento, o céu azul e o Oceano Atlântico, que, no ponto mais oriental das Américas, parece não ter fim.

 

Quando aqui chegou, vindo de Campina Grande para morar pertinho do Cabo Branco, em 1976, Marcus Vilar certamente ficou fascinado por esse paraíso terrestre, que Deus, num excesso de confiança, entregou à guarda dos paraibanos.

 

Sem ter se deixado seduzir por aquele ambiente paradisíaco, Vilar jamais teria feito um filme tão belo como DUAS VEZES NÃO SE FAZ, curta-metragem de 12 minutos, produção do Para´iwa e Ponto de Cultura, com financiamento do FMC da Prefeitura de João Pessoa e apoio da UFPB-PRAC-COEX.

 

Usando trechos selecionados de obras de Vanildo Brito, Hermano José, Luís Augusto Crispim, Ascendino Leite e José Américo, intelectuais que exaltaram o Cabo Branco em prosa e verso, Marcus Vilar, contando com a parceria de Durval Leal Filho, na produção e edição, e com o auxílio luxuoso da narração impecável de Luís Carlos Vasconcelos, nos leva a fazer um passeio poético pelo que ainda resta de um dos mais belos monumentos naturais do planeta.

 

Em contraponto, "procurando evitar o panfleto", como ele próprio afirma, o filme nos mostra, em tons dramáticos de um réquiem, a acelerada degradação do Cabo Branco, tanto pela ação natural dos ventos, das correntes marítimas e dos fluxos das marés, como pela intervenção tresloucada do homem. É aí que DUAS VEZES NÃO SE FAZ (título de um poema de Hermano José) se torna um desesperado pedido de socorro em favor do Cabo Branco.

 

Poema feito de sons e imagens, o filme de Marcus Vilar é também um canto de esperança. As cenas finais, em que a geógrafa Lígia Tavares, guerreira das causas do meio ambiente, conversa com meninos e meninas de uma escola da cidade, têm a força das coisas simples. A presença das crianças no local do desastre é a própria luz no final do túnel, a certeza de que nem tudo está perdido.

 

DUAS VEZES NÃO SE FAZ conquista o coração do espectador, a partir dos primeiros movimentos. Não tenho dúvidas de que, com a mesma intensidade, tocará a sensibilidade daqueles que podem fazer alguma coisa no sentido da proteção do Cabo Branco.

 

*Petrônio Souto é jornalista




Rádio - Foto: ©Guy Joseph/2004

Recuerdo 34 - A PRI-4

Hugo Caldas*


Década de cinqüenta. Tempos amenos, sem a violência reinante dos dias de hoje. Nós éramos felizes e sabíamos. Ginásio Solon de Lucena do Professor Otacilio, alí nas Trincheiras, perto da casa de Elpídio Navarro. Lá estudavam comigo, Valter Lins, da Radio Tabajara, Ivo Bechara, Marcos Meireles, uma lourona - sempre elas - chamada Iris e mais uma porção de gente boa. Onde estarão hoje, Ivo Bechara, Marcos Meireles, Íris e todos os outros? Tempos do canto orfeônico, matéria obrigatória, invenção de Villa Lobos onde cantávamos e por força teríamos que estudar teoria musical e viver às voltas com um fatídico ditado, "tá-aaa-tá-ti-tá-tá."

Tempos dos circos, Garcia e Merino que erguiam as suas lonas na Lagoa. Contava meu pai que certa noite em espetáculo concorrido no Circo Garcia, um tal Sargento Nunes herói da Revolução de 1930, por conta de uma aposta, quase matou um urso durante a função. O Sargento Nunes era meio avantajado no físico. Anos mais tarde, meio ressabiado, tive um namorico com uma de suas filhas.

Tempos da PRI-4, Radio Tabajara da Paraíba.

Tempos do "Trio Jaçanã," Walter Lins, Zé Pequeno e Marlene Freire. Cantavam e ainda cantam que é uma harmonia só. De deixar sabiá complexado. Jamais encontrei vocalização mais perfeita. A Marlene foi uma garota prodígio. Certa vez, já famosa, de volta de uma viagem, em aniversário na casa de umas tias, lá na Rua 4 de Novembro, tanto pediram que ela constrangida se dispôs a cantar, a capela, olhando pros lados visivelmente incomodada pelo fato de não haver uma orquestra a acompanhá-la.

A PRI-4 foi fundada em 1937 e tinha uma programação de primeira linha. Várias atrações nacionais e internacionais aconteciam no seu auditório. Era a glória. Convivi bastante com a atmosfera sadia da Radio porque uma das minhas tias trabalhava na secretaria durante o dia e às vezes dava recital de piano em programa tarde da noite. O primeiro transmissor da emissora, com a potência de 5.000 watts foi montado na Mata do Buraquinho, enquanto seus estúdios funcionavam em um prédio "Art Nouveau" em esquina da Rua da Palmeira por trás do Palácio da Justiça. Lá, cheguei a assistir: Xavier Cugat, Ruy Rey, Agustín Lara, (autor de "Maria Bonita - sucesso mundial) Orquestra Cassino de Sevilha, João Dias, clone perfeito do Francisco Alves, e infindáveis atrações.

Com o passar do tempo e já no governo de Zé Américo, Antonio Lucena na direção da rádio, querendo marcar a sua administração, trouxe a João Pessoa a famosa orquestra de Tommy Dorsey. Dá para acreditar? Eu, quase menino lembro que assisti à performance sentado no chão do palco bem ao lado do pianista. Hoje, fico relembrando meio que duvidando se tudo aquilo aconteceu mesmo. A imagem é bastante forte. Como são fortes as imagens dos locutores Gilberto Patricio, Jaci Cavalcanti, e de dentro do "aquário" a figura simpática de Linduarte Noronha ainda sem os louros da fama, fones nos ouvidos, mero locutor de estúdio. Anos mais tarde, Paulo Pontes, nosso maior dramaturgo, também fez part do "Cast" de locutores da Tabajara. O maestro Nôzinho, de curta passagem. O cantor Ruy de Assis, sucesso até hoje, mais tarde meu Diretor Regional, quando da minha passagem traumática por uma Franquia dos Correios.
A cantora Meves Gama, Eclipse, cantor de bela voz. Esse pessoal faz muita falta ao cenário pobre e ridículo da música brasileira de hoje. Dizem, aliás, que a MPB morreu. Eu acho que morreu, sim. Quem de vocês se lembra de alguma música realmente bonita destes últimos anos?

A presença da Tabajara era tal que à época o Mago Gilvan, (por onde anda?) sobrinho do "Seu" Lemos do Plaza, sabia de cor e repetia a toda hora o texto do encerramento da programação da PRI-4 que era mais ou menos assim: "24 horas. Últimos instantes de um dia. A noite moribunda apressa-se para ceder lugar à madrugada... A seqüência dos fatos cronológicos..."

Pasmem, mas assisti na PRI-4 uma das primeiras performances de José Vasconcelos - "Eu Sou O Espetáculo" - o pai de todos esses "show-men" que temos hoje, à partir do mestre Chico Anysio. Como era prazeroso ver e ouvir um grupo formado por dois irmãos e duas irmãs que cantavam afinadíssimos, os "Tabajaras do Ritmo." A imagem do Sargento da polícia, Dedé, saxofonista dos bons e que andava de motocicleta. Aliás, os músicos eram um caso a parte, todos excelentes. Canhoto começou tocando no Regional da Rádio. Vieram para João Pessoa conjuntos vocais, como Los Panchos, Los Palomitos, Quinteto Los Pioneros, as Irmãs Parisi e cantores como Josefine Baker, Ninon Sevilla, Ester de Abreu, Gregório Barrios, Ernesto Bonino e o famoso "Bigode Cantante", Bienvenido Granda. Chico Alves veio inaugurar a emissora em 1937. Era muito prestígio. Mas, o bom mesmo para mim, era o Trio Jaçanã. Pascoal Carrilho anunciava... "E com vocês... O Trio Jaçanã...”

O Trio atacava com o seu conhecido prefixo:

“E eu te encontrei tão sozinha na tua estrada”.
Te dei minha mão mesmo em troca de nada
Para amenizar teu desgosto
Com todo o prazer te ajudei
Carreguei tua cruz
Dei-te apoio moral
Transformei tua vida
Numa alvorada de luz.”

Da convivência no Solon de Lucena nasceu um "clone" do Jaçanã - Valter Lins, Marcos Meireles e o locutor que vos fala. Chamava-se "Trio Coqueiro Seco" e o nosso carro chefe era nada mais nada menos do que "Prece ao Vento" (vento que embalança as paia do coqueiro), de Gilvan Chaves. Mais tarde, já de volta ao Colégio Marista surgiu uma outra formação do Coqueiro Seco. Desta vez com Aldemir Sorrentino e Marcos (Quinho) Aguiar,"O Homem da Estrela de Ouro," por onde andam o meu amigo e seus irmãos José e Hugo?

Certa vez, Pascoal em pleno palco - que era separado da platéia por um enorme vidro - apresentava um programa. Vale dizer que Pascoal era que nem o Chacrinha antes do Chacrinha aparecer na TV. Ele era o faz-tudo. Escrevia, dirigia, interpretava papéis e fazia o comercial. Nesse dia o patrocínio era da "Aguardente de Cana Praianinha". Pascoal microfone em punho berrava aos quatro ventos: "Beba Praianinha, a melhor aguardente do Brasil." E continuava na sua arenga: Eu bebo Praianinha, Antonio Lucena (diretor da Rádio) bebe Praianinha, nós todos bebemos Praianinha... nesse exato momento um rapaz lá na platéia grita: "Já está bêbado a essa hora né, Pascoal? Ele não se fez de rogado. Chispou de volta:

"A mãe daquele rapaz também bebe Praianinha"! O programa virou bagunça.

Corriam inúmeras histórias sobre todo o mundo dentro da Rádio. Uma bem interessante dá contas de uma cachaça que Pascoal tomou devidamente acompanhado por Bienvenido Granda. A brincadeira durou vários dias. Ao cabo do décimo dia os dois se separaram e tornaram a aparecer, mas cada um em um lugar diferente. Pascoal em Campina Grande e Bienvenido em Currais Novos. Absolutamente perdidos. Não sei se foi verdade. Só sei que foi assim.

P.S. Soube que o atual prefeito tem projetos para fazer voltar o Ponto de Cem Réis à sua antiga feição. Parabéns. É preciso tirar mesmo essa aberração do centro da minha cidade. Por que ele não aproveita e reconstrói o prédio da PRI-4 criminosamente derrubado?
 

*Matéria transcrita do blog Unlimited do amigo e primo Hugo Caldas






Mario Chamie, Elza Padua, Ferreira Gullar,
Clotilde Tavares, José Roberto Penteado.


Abaixo, eu toda nervosa em tão excelsa companhia!


Clotilde Tavares Falando Para o Mundo!

Clotilde Tavares é paraibana de Campina Grande. Formada em medicina, exerceu a profissão, até resolver se dedicar às coisas da cultura, fazendo teatro, poesia, escrevendo e publicando livros. Também assina colunas em jornais diversos.
Clotilde não para quieta. Vive entre Natal e a Capital da Paraíba, dá um pulo em Recife e não deixa de passar por Campina Grande. Ah, sim! Sampa e a Garoa fazem parte de suas paixões.
Pra quem não sabe: Clotilde Tavares é amiga do Editor e irmã do genial Bráulio Tavares.
Em mensagem à lista de discussão “Umas & Outras” (criada por ela), Clotilde Tavares relata a sua recente visita à Paulicéia Desvairada. Confiram:

Minha gente,

Já perfeitamente integrada "à feia fumaça que sobe apagando as estrelas" do céu de Sampa, mas considerando que esta é uma das cidades que eu mais gosto no mundo, junto a Campina, Natal e a capital parahybana, digo que passei uma tarde maravilhosa.
Entre embevecida e emocionada, ouvi o relato do poeta Ferreira Gullar, que abriu hoje a Semana de Poesia da ESPM e nos encantou a todos contando a história praticamente da sua vida inteira, distribuída entre a poesia e a política, entre a atividade poética e a militância cultural, de uma forma que ficamos todos cativos da palavra deste maranhense de 78 anos, cheio de energia e de vigor.
Além de tudo,  Ferreira Gullar é um cara engraçadíssimo, de verve e de humor inigualáveis, e passamos horas agradáveis, desde o almoço, com a presença ainda de Mário Chamie, que foi convidado para apresentar o poeta, do José Roberto Penteado, diretor do Instituto Cultural da ESPM e de outros membros da Escola. Depois da palestra, um chá, com mais bate-papo, histórias, depoimentos, anedotas, onde esta que vos tecla também fez suas gracinhas, recitando versos e deitando falação sobre a Parahyba.
Abaixo (acima), flashes da reunião.
Amanhã, faço palestra no evento.

*Mensagem transcrita da lista Umas & Outras.
 



João Lobo         Foto: ©Guy Joseph

Senac divulga a fotografia de João Lobo

O Senac São Paulo, primeira instituição a oferecer o curso de graduação em fotografia no Brasil, está divulgando o trabalho de profissionais renomados por meio da coleção Fotografia. Grandes fotógrafos de todo o país já foram lançados pela coleção e agora chegou a vez do paraibano João Lobo, em livro organizado por Simonetta Persichetti e Thales Trigo. A obra contém 51 fotografias, extraídas de diversos trabalhos de João Lobo.
Nascido no interior da Paraíba, mais especificamente em Brejo do Cruz, a vida de João Lobo mudou quando começou a se interessar por imagem aos 20 e poucos anos, na década de 80.
Na apresentação da obra, Simonetta Persichetti lembra que no início, Lobo fazia pequenos audiovisuais, de caráter educativo. De lá para a fotografia profissional foi um passo. "Inquieto e curioso o trabalho no fotojornalismo – primeira das suas escolhas na área fotográfica – não o satisfez. Sua vontade era ir além do fato, da imagem-notícia, da narrativa de um evento. Sua agitação pedia mais: o que ele queria era experimentar, ir além do registro e, assim como os "velhos" fotógrafos do Photo-Secession , mostrar que a fotografia era sim, capaz de produzir arte. Suas buscas acabaram por encontrar fotógrafos como Ernest Haas, Ansel Adams , William Klein e Marc Riboud . Áreas diferentes, mas todos com grande criatividade e inovação de linguagem".
Essas experiências, conta, o levaram para a Universidade onde aprofundou conhecimentos teóricos e também lecionar para que seu trabalho não fosse tão solitário como se apresentava: "A Universidade foi conseqüência do meu aprendizado. O meu estudo de fotografia sempre foi solitário". Assim como um cientista sua aprendizagem foi a experiência, a tentativa do erro e do acerto. Experiência essa que o levou a sair do Brasil e levar seus trabalho para diversos países como Portugal, Argentina, Espanha, França, Holanda e Chile. Além de levar seu conhecimento, nestas viagens iniciou um intercâmbio com diversos fotógrafos. Foi em Villaguay, na Argentina, por exemplo, que ele conheceu as imagens de Pedro Luis Raota. Uma de suas grandes influências, pelo enquadramento, dramaticidade da luz e altos contrastes.
"As imagens de João Lobo buscam desconstruir o real e servem como suporte e estímulo ao trabalho sempre inovador que o caracteriza. Talvez por isso as imagens do Raota o encantaram. Mas outros, também entre os brasileiros se tornaram, se não referência, pelo menos fotógrafos que já fazem parte de seu museu imaginário. Nomes como Klaus Mitteldorf , Renan Cepeda e Hélio Oiticica, que apesar de não ser fotógrafo, realizou trabalhos importantes usando a fotografia", comentou Persichetti.
Para ela, João Lobo é um experimentalista no sentido mais amplo. Trabalha com a luz, com diferentes filmes, quebrando regras de exposição e processamento, obtendo resultados que quase sempre nos surpreendem e acaba produzindo imagens que nos causam um descondicionamento do olhar. Nada é visto da forma que realmente é. Isso só é possível de ser feito com sucesso porque sua base tradicional e acadêmica na fotografia é bastante consistente. Nada é por acaso. Os riscos são calculados e ele conhece muito de regras e padrões ao ponto de quebrá-los e, novamente, como qualquer cientista ser capaz de reproduzir a experiência, obtendo os mesmos resultados, base esta necessária para a transmissão do conhecimento.
Talvez por isso, acredita, o ato fotográfico tenha sido pouco para ele. Já há alguns anos Lobo desenvolve projetos na área didático-cultural que acabam envolvendo grande parte do Nordeste. A exemplo do que acontece em Paraty, Rio, Porto Alegre e Brasília, a Paraíba também tem seu festival da imagem já há quatro anos: "Senti uma necessidade de intercambiar idéias e projetos com outras culturas. Em 2004 produzi e realizei um intercâmbio com a Argentina onde 4 fotógrafos paraibanos mostraram suas produções por lá, e aqui, durante um festival de arte expuseram cinco portenhos. O Parahyba Digital em sua terceira edição mostrou-me a necessidade deste tipo de intercâmbio. Mostra a viabilidade de juntar profissionais comungando um mesmo sentimento e somando idéias que se propagaram com o tempo.", afirma Lobo.
Estes quase 30 anos transitando entre a prática e teoria lhe permitiram desenvolver um olhar crítico e um conhecimento da produção contemporânea, especialmente quando o assunto é arte, uma área que muitos ainda patinam e se eximem de comentar. O sangue paraibano de João Lobo não lhe permite a isenção. Ele é categórico ao afirmar: "a fotografia está no ápice de seu reconhecimento como arte. A gama de possibilidades que o digital proporcionou induziu o fotógrafo a mostrar suas produções mais abertamente e em maior escala".
Simonetta Persichetti, considerada uma das mais importantes pesquisadoras da imagem no Brasil da atualidade, diz que Lobo consegue compreender a transformação de visualidade que o digital trouxe não só para a fotografia, mas para a arte de uma maneira geral. "Coerente com suas idéias e empenho na divulgação do conhecimento fotográfico atualmente João Lobo desenvolve uma pesquisa sobre a história do nu na fotografia", afirma.

 


Wellington Seixas

Infarto Mata o Jornalista Wellington Seixas

O jornalista Wellington Seixas foi vítima de um infarto fulminante, nesta sexta-feira (12), por volta de meia noite, na Redação do jornal  CORREIO da PARAÍBA, na Capital.
Wellington tinha 61 anos de idade e trabalhava no jornal há mais de 30, como diagramador. Deixa viúva e cinco filhos. Nascido na Capital da Paraíba, Seixas deixa também sete irmãos, entre os quais o também jornalista Land Seixas - e presidente do Sindicato da categoria - e o engenheiro Fred, que também trabalhou como diagramador em O Norte, nos anos 70.
Antes de sofrer o ataque do coração, Wellington fez uma pausa e foi até o lado de fora da sede do Sistema Correio, na Pedro II, para conversar um pouco com outros colegas que lá estavam. Voltou menos de cinco minutos depois, à Redação. Infartou quando se preparava para retomar o seu trabalho.
O jornalista Wellington Seixas foi levado imediatamente ao Hospital Santa Paula, mas não resistiu.
No ano passado, Wellington Seixas foi homenageado pela Associação Paraibana de Imprensa (API) por seus 60 anos e por sua contribuição ao jornalismo paraibano.
No CORREIO da PARAÍBA, além de exercer a função de diagramador da Primeira Página, no final dos anos 70 e começo dos 80, ele também coordenou por um tempo a articulação entre a Redação e as Oficinas, visando agilizar o processo de fechamento e impressão do Jornal.

API E SINDICATO LAMENTAM

A Associação Paraibana de Imprensa e o Sindicato dos Jornalistas da Paraíba distribuíram nota de solidariedade à família do jornalista Wellington Seixas em face de de sua morte, vítima de infarto à meia noite quando trabalhava na Redação do jornal  CORREIO da PARAÍBA.
O presidente da API-Associação Paraibana de Imprensa, João Pinto, se expressa, dizendo que o jornalismo paraibano sente muito a perda de um profissional dedicado e competente.
 


Tião Lucena

Porque Hoje é Sábado
*Tião Lucena


O paraibano é doido por política. E o paraibano do interior, mais doido ainda.Se você viaja por aquelas bandas, vê a política nas paredes, nos telhados, nos carros de som, nas conversas, nas brigas, nos namoros, nos casamentos e até nas rezas. É política para mais do contrato. E como se briga pelos políticos! Em Princesa, por exemplo, homens e mulheres se rasgam pelos seus candidatos. O interessante é que os chefes não brigam entre si. Deixam os cabos, soldados e guardas noturnos eleitorais brigarem e ficam no bem bom do aconchego caseiro vendo o circo pegar fogo.
Nesse tempo, o desimportante fica importante. De repente, aquela otoridade lembrou do compadrio que tinha com o Zé de Minininha e vai lá na casa dele abençoar o afilhado. E beija o menino com catarro e tudo, deixando o pobre do Zé emocionado e esquecido de toda a ingratidão experimentada no hiato do mandato. E lá vai Zé votar de novo no compadre.
Falando nisso, lembrei-me de Tulino de Fila. Quando o menino dele nasceu, na década de 60, ele botou na cabeça de dá-lo a John Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, como afilhado. Foi falar com Frei Anastácio, que tentou demovê-lo da idéia, porém, vendo que não tinha jeito, inventou uma carta e inventou que tinha mandado a carta para o presidente, convidando-o para ser compadre de Tulino. Uns dias depois chegou outra carta, vinda dos Estados Unidos, na qual Kennedy aceitava o convite mas, por força de incontáveis compromissos, não poderia comparecer ao batizado. Botaram outro representando o titular, de modo que Tulino passou a chamar Kennedy de compadre.
Estava ele fazendo doce quando escutou no rádio a notícia do assassinato de John Kennedy. Imediatamente jogou a colher de pau no chão e saiu correndo para casa. Chegou e aos gritos de desespero, chamou a mulher disse: -Arlinda, aconteceu uma desgraça, mataram cumpade João Kendi". Arlinda ficou aperreada: -Não me conte isso, Tulino! Como não estará a comadre Jaqueline! Vá homem, chame Geraldo Dentista, mande ele botar gasolina no jipe que nós vamos pra lá agora mesmo. Comadre Jaqueline deve estar precisando de mim. Vou até levar um chá de camomila para ela tomar".

*Transcrito do blog de  Tião Lucena. Sebastião Lucena, nascido e criado em Princesa Isabel, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no no Jornal O Momento e no jornal de Agá. Nos três primeiros desempenhou as funções de repórter, editor político, editor do interior, chefe de reportagem e secretário de redação. Também foi vice-presidente da API e diretor do Sindicato dos Jornalistas. Cansou de trabalhar em jornais, cansou de patrões e resolveu criar um espaço somente seu na internet, onde pretende fazer um jornalismo sem cabresto e sem censura.


 

 
Foto: ©Guy Joseph

Todo o Mundo Nú


De 09 a 12 de setembro, na praia de Tambaba, acontece o 31º Congresso Internacional de Naturismo. Tambaba, fica a cerca de 40 kilômetros da Capital da Paraíba e já é conhecida internacionalmente. Durante o Congresso haverá  apresentação de grupos folclóricos, orquestra de violões, feira regional, passeios turísticos, exposições de arte e o lançamento de glossário naturista. Estas são algumas das muitas atividades que acontecerão durante o encontro naturista. Na abertura oficial do evento, dia 9 de setembro, após a saudação de boas vindas aos participantes, haverá uma homenagem póstuma e apresentação do relatório sobre a influência do tema do Congresso “Naturismo por um mundo melhor” apresentado por Barbabra Hadley e Mick Ayers.
Na terça-feira (9) a Orquestra de Violões anima o Congresso com uma apresentação a partir das 17h. Neste concerto a Orquestra de Violões da Paraíba, regida por Carla Santos, vai interpretar obras que fizeram parte do primeiro CD, além de peças que irão fazer parte do seu novo trabalho a ser gravado ainda esse ano. Assim, com um repertório eclético, que irá contemplar diferentes estilos, gêneros e ritmos, a Orquestra de Violões pretende encantar o público presente com todo seu lirismo.
A apresentação contará com a participação especial da cantora Maria Juliana e do flautista Anderson Breno. A atriz Eunice fará uma performance cênica naturista e logo após, às 21h00, acontece o baile “Adão e Eva”, uma confraternização com todos os naturistas. No dia seguinte, quarta-feira (10) as 16h00, se apresenta o grupo musical “Tambores pela Paz”.
Não foi informado se os artistas deverão se apresentar nus.
Um dos momentos culturais marcantes será o sarau poético “Até que chegue o teu braço”, com Marcony França, Arthur Marinho, Giz Paixão e participação especial da pianista Isa Y Plá, no sábado, dia 13 de setembro.
Eventos paralelos devem acontecer em palcos montados exclusivamente para as atrações. Os shows musicais serão diários entre as 17h e 22h. Será lançado também um “Glossário Naturista”, além mostra de vídeos, feira de artesanato, apresentação da Nau Catarineta, grupos de cirandas, coco de roda, quadrilhas juninas.
O esporte também será destaque no evento com a realização do meeting naturista de kitsurf, paraquedismo e o 1º Campeonato Internacional Naturista de Surf.
O local, onde está localizada a praia naturista de Tambaba, está sendo preparado e oferecerá toda a infra-estrutura necessária para os naturistas com salões para reuniões, salas de apoio com ar condicionado, tendas de massagens, lojas de conveniência, banheiros químicos, médicos, ambulância de plantão e segurança 24 horas.
A previsão dos organizadores é que estejam em Tambaba neste período cerca de quatro mil naturistas da Europa, Américas e do Brasil. O Congresso Internacional de Naturismo é uma ação da Sociedade Naturista de Tambaba, com promoção da Federação Internacional de Naturismo (FIN) e Federação Brasileira de Naturismo (FBN), com o apoio do Ministério do Turismo e do Governo do Estado da Paraíba e organização da Prefeitura Municipal do Conde.
 


Foto: ©Guy Joseph

FIC Augusto dos Anjos 2008, 
Aprova 63 Projetos Culturais.

O Diário Oficial do Estado publica o resultado do edital do FIC Augusto dos Anjos 2008, com a relação dos projetos aprovados. Ao todo, foram contemplados  63 projetos inscritos no edital 2008 do Fundo de Incentivo à Cultura do Governo do Estado da Paraíba.
A área de música foi contemplada com 17 projetos aprovados, seguido por artes cênicas - que compreende teatro e dança - com 11 projetos. Literatura e Artes Integradas tiveram 9  projetos cada; Cultura Popular,  6; Memória e patrimônio, 5; Audiovisual e Artes plásticas, 3 projetos, em cada área.
Para a aprovação, levamos em conta critérios como afinidade de projetos com a política cultural do governo da Paraíba; a possibilidade de ampliar os acessos da população aos bens culturais, sem esquecer de considerar a diversidade cultural, a territorialidade e o equilíbrio ao contemplar as diversas linguagens artísticas, disse o presidente da CTAP e subsecretário de Cultura do Estado, Sandoval Nóbrega. Lançado no dia 8 de março desse ano, o edital 2008 inscreveu 278 projetos, solicitando recursos na ordem de R$ 11,2 milhões (onze milhões e 200 mil reais).
Confira os projetos selecionados (por cidade):

João Pessoa
Oficina de Cordel nas Escolas, Maria Nelcimá de Morais Santos
Quarteto de Cordas nas Escolas,    Samuel Alnaldo Espinoza Galvez
IV Festival de Aboio,  Maria Laura De Albuquerque Maurício
A Criação Com Um Toque de Realidade, Maria Cristina Strapação Guedes Vianna
Compositores da Paraíba - Música Para Cordas, Marcílio Fagner Onofre
Carnaval Tradição 2009, Federação Carnavalesca de João Pessoa
Sanfona Branca, José Pedro Filho
Nova Vida Através da Dança, Diana Nascimento Miguel
Chica Barrosa - A Rainha Negra do Repente, Irani da Silva Medeiros
No Bagaço da Cana, Um Brasil Adormecido - Cátia de França e Camerata Arte Mulher, Mônica Moreira Cury
Museu Virtual José Américo de Almeida - Expressão da Cultura Nordestina, Mabel Ribeiro Petrucci
Colapso - Programa de Dança & Educação, Lílian Cristine Farias Alves Barbosa
Esquentais Vossos Pandeiros Jacksonianos, Associação Cultural e Recreativa Anjo Azul
Redemunho, Marcélia de Sousa Cartaxo
Voar Como Águia, Edênia Morais de Oliveira
Malazarte, Canção e Trupizupe, Itamira Barbosa Lima
Escola Popular de Artes, Centro Cultural Piollin
Diálogo da Criação - Festa das Artes, Maria Auxiliadora Gama Pereira
Cantando e Aprendendo, Maria do Socorro Estrela da Silva
Quem Casa Quer Lona - Circulando, Diocélio Batista Barbosa
Arte Naif, Analice Rodrigues Uchoa
Artes Visuais: Reflexão & Produção, Maria de Lourdes Silva de Almeida
Afronordestinas, Sandra Kalyne de Barros

Campina Grande
Guiomar Sem Rir, Sem Chorar, Maria de Fátima Ribeiro do Bomfim
Memória, História e Patrimônio: Uma Cartografia de São José da Mata, Eliane de Araújo Lima
No Reino da Contação: Curso de Formação de Contadores de Histórias Orais, Maria do Socorro Araújo de Arruda
Onde Borges Tudo Vê, Taciano Valério Alves da Silva
Domingo tem Cantoria na Casa do Cantador, Sebastião Basílio de Lima
Campina Grande, Espaço e Tempo - Ruas Becos e Travessas: Uma Cartografia Pitoresca, Insólita e Renitente, José Edmilson Pereira Rodrigues
Centro Cultural, Fundação de Cultura Assistência Social e Saúde da Paraíba
Instalações: A Cidade em Estado de Arte, Jarrier Alves Dantas
Made In Paraíba, Arthur José Cunha Pessoa
Tony Dumond, Antonio Clementino Leite
Ação Hip Hop Campina, Thiago Alcântara de Andrade Henriques
Nordestino Cantador, Antonio Guedes Rangel Júnior
Incelença - Pra Todo Lado, Francisco Soares de Oliveira

Alagoa Grande
Explorando Cana-de-Açúcar, Robério José Pereira Chaves

Bayeux
Oficinas de Resgate do Cavalo Marinho do Mestre Gazoza,  Ideltone Ribeiro Soares

Cabedelo
Auto de Natal em Cabedelo, Grupo de Teatro Amador Alfredo Barbosa Gtaab

Cajazeiras
Nordeste ao Som da Viola, Gilmar Souza de Oliveira
Revista A Penna, Aguinaldo Batista Rolim
Cantoria na Feira, José Marconi de Souza Maciel

Campo de Santana
Rei dos Reis, José Batista Barbosa

Cuité
II Festival Universitário de Inverno de Cuité, Sociedade Aliança de Desenvolvimento Sad

Esperança
III Fest Cordel, Marinalva Bezerra de Menezes Santos

Guarabira
Estrela o Parque do Prazer, Josélio Fideles de Souza

Lagoa Seca
Lagoa Seca - Mostra Cultura, de Itamar Mendes Palmeira
Projeto Mulheres Digna, Vânia Maria Olegário da Silva

Lucena
Cantus Popularis, Paulo Roberto do Nascimento

Mari
Canta Minha Gente, Assis Firmino da Silva

Marizópolis
Coiteiros, Francisco Rodolfo Júnior

Mãe DÁgua
Festival Sertanejo de Poesia Popular, Antonio Mota da Silva

Monteiro
Raízes em Chamas, Rosevânia Soares de Alcântara

Nazarezinho
IV Feiraço, Helena Maria Pereira

Poço de José de Moura
II Encontro Sertanejo de Cultura Popular, Ana Neiry de Moura Alves

Pombal
I Festival de Música Popular em Pombal - Fempop, Luiz Barbosa Neto

São José de Piranhas
I Festival de Repentistas do Alto Piranhas, Francisco Xavier Cipriano de Oliveira

Serra Branca
Cariri Mostra Artes do Povo, Associação Mantida por Responsáveis por Educação, Cultura e Empreendedorismo Amppare

Soledade
Projeto Lumiarte, Hércules de Araújo Sousa

Sousa
O Ouro das Missões e Outras Pérolas do Cordel Sertanejo, Edilberto Alves Abrantes
 O Velho do Rio, Leonardo Alves de Oliveira

Sumé
Reforma do Cine Teatro Municipal, Prefeitura Municipal de Sumé
Jornal de Poesias Cabeça de Rato, Zito Nunes de Siqueira Júnior.





Expedição: pioneira em mostras itinerantes.
Clique na foto para ampliar.


Conexão PB será Aberta no
Próximo dia 20


Artistas vindos de 10 cidades que funcionam como núcleos de animação cultural em diversas regiões do interior da Paraíba estarão participando de uma exposição coletiva de artes plásticas que marcará o ponto de partida do Projeto Conexão PB. A abertura da exposição está confirmada para o dia 26, ás 19 horas, no Casarão dos Azulejos-sede da Subsecretaria de Cultura do Estado, órgão responsável pela reunião de 14 artistas oriundos de municípios como Campina Grande, Patos, Guarabira, Nazarezinho, Cajazeiras, Sumé, Monteiro, Cabedelo, Pombal e Sousa.
A exposição ficará aberta no Casarão dos Azulejos, de segunda a sexta-feira, no horário das 12 às 18 horas, até o dia 26 de setembro, e a organização do evento espera que mais etapas do Projeto Conexão Paraíba sejam realizadas a partir do êxito alcançado neste início de atividades, quando a empatia dos artistas espalhados por variados pontos do interior paraibano se revelou de forma imediata. A produção da exposição Conexão Paraíba é uma das conseqüências positivas da Caravana da Cultura, que desde junho de 2007 vem "visitando através de duas ações mensais" cidades como Cuité, Caaporã, Malta, Baia da Traição, Triunfo, Umbuzeiro, além daquelas que constam da versão inicial da exposição Conexão PB.
Um dos primeiros artistas a empreender exposições itinerantes, percorrendo e mostrando  suas obras, em inúmeras cidades do interior da Paraíba, foi o fotógrafo Guy Joseph, com a sua Expedição Terra da Gente Paraíba e que resultou no livro, Terra da Gente Paraíba. As viagens da expedição fotográfica duraram dois anos e meio. As ampliações fotográficas, que constavam da mostra itinerante, foram doadas ao Estado da Paraíba e já fizeram parte da Caravana da Cultura. O livro de Guy Joseph se encontra esgotado.
De acordo com o subsecretario de Cultura, Sandoval Nóbrega, existe a idéia de concluir a pauta deste ano da Sala Thomás Santa Roza, que fica no Casarão dos Azulejos, com a segunda mostra reunindo outras tantas cidades e artistas que demonstrarem interesse em participar do projeto. Nesse meio tempo, a primeira mostra percorrerá outras tantas cidades que já se encontram definidas para receberem ações da Caravana Cultural até dezembro de 2008, com prioridade para as artes plásticas, cinema, música, dança e teatro.
Outras novidades confirmadas pela Subsecretaria de Cultura para a noite do dia 26 deste mês, no Casarão dos Azulejos, ilustrando a programação de abertura da Conexão PB, são as performances dos atores Jerônimo Vieira em "Vida Banal", Ângelo Guimarães em "Nocte Latente Mendain", Suzy Lopes em "Gota D Água",  Daniel Porpino em "Mergulho" e grupo Fábrica de Trapos em "Auto da Agonia". Um show com a cantora Fidélia Cassandra, de Campina Grande, e a exibição do vídeo que integra a "Série Depoimentos" marcando os 50 anos de carreira da atriz Zezita Matos, também se encontram incluídos como atrações da abertura da Conexão PB.




Foto: ©Guy Joseph

Eclipse Lunar Poderá ser Visto na Estação Cabo Branco

Antonia Sousa - Assessoria de Comunicação


"Venha ver a Lua" é o tema do evento que ocorrerá no próximo sábado (16) a partir das 15 horas na Estação Cabo Branco-Ciências, Cultura e Artes- ECCArte, localizado no Altiplano Cabo Branco, na programação do projeto Ciências aos Sábados que será quinzenal. Durante toda à tarde no auditório o tema debatido será astronomia com a realização de duas palestras proferidas por astrônomos paraibanos. No final da tarde está programada a observação do eclipse lunar do terraço da Torre. Estarão instalados pela Associação Paraibana de Astronomia vários telescópios e lunetas, além de uma tela de projeção para acompanhar o fenômeno. É aberto ao público em geral, excepcionalmente até às 20 horas.
De acordo com o fisico Rubens Freire, do conselho científico da Estação Cabo Branco, a difusão e popularização da Ciência têm como componente importante à divulgação científica que para se massificar requer o desenvolvimento educacional. A ECCArte tem como um dos seus objetivos um programa de difusão e popularização da Ciência através de palestras, conferências, exibição de filmes, peças teatrais, debates, mesas redondas, entre outros. Portanto, essa atividade abre esse projeto de Ciências aos sábados com uma programação inusitada que é o eclipse lunar, destacou.
A programação - O presidente da Associação Paraibana de Astronomia, Ivan Costa que faz parte da nova geração de astrônomos amadores do Estado irá proferir a palestra: Introdução à astronomia; viagem pelo sistema solar. Os participantes conhecerão mais sobre o universo, a divisão do sistema solar, nossa galáxia, aglomerações de galáxias e cosmologia etc. Na oportunidade ele exibirá slides sobre os planetas, constelações (estrelas), galáxias, entre outros. Para Ivan Costa, esta é uma oportunidade para a comunidade científica e leiga intercambiar sobre astronomia, ciência pouco divulgada também nas instituições de ensino. A Estação Cabo Branco é sem dúvidas um espaço de fomento cientifico e de pesquisa, ideal para realização desse tipo de experiência e que com certeza irá promover outros dessa natureza, enfatizou.
O eclipse lunar é o assunto da segunda palestra pelo geógrafo Marcos Jerônimo que também é diretor técnico e científico da APA. Ele irá explicar como ocorrerá o eclipse de 16 de agosto, tipos de eclipse, entre outros aspectos.
Segundo Marcos Jenônimo a lua já nascerá com o eclipse acontecendo. Ou seja, ela surgirá eclipsada, mas será visível a segunda metade d'este eclipse, porque a lua nascerá já na sombra por volta das  17 horas e 50 minutos. Por conta de possíveis nuvens poderemos perder um pouco da apreciação do fenômeno, mas, por conta do horário, veremos o eclipse com a Lua bem próxima à linha do horizonte. A ilusão que temos que a Lua é maior quando a vemos próxima ao horizonte será um fator a mais que contribuirá para aumentar a beleza do fenômeno. Preparem-se para observar um lindo eclipse, finalizou.
Para entender o eclipse - Os eclipses lunares somente ocorrem quando a Lua está na fase cheia. Num eclipse da Lua, ela percorre a penumbra e/ou a sombra da Terra. Apenas poderão ser observados do hemisfério da Terra onde é noite. Há três tipos de eclipse da Lua: o total, o parcial e o penumbral. O eclipse lunar total acontece quando a Lua é totalmente obscurecida pelo cone de sombra da Terra, o parcial quando somente parte da Lua é obscurecida por esse cone e o penumbral quando a Lua percorre apenas a zona da penumbra terrestre (é o menos pronunciável dos três). Na ocasião de um eclipse total ou parcial, a Lua percorre a região de penumbra antes e depois de atravessar o cone umbral da Terra.


 


Foto: ©Assuero Lima

Por 29 a 3 Votos Nêumanne é o
Novo Imortal da Academia


Augusto Magalhães
Transcrito do "Correio da Paraíba",
edição de 4ª feira, 23/julho/2008

Meus laços com a Paraíba estão reforçados através da Academia. Foram essas as primeiras palavras do novo imortal da Academia Paraibana de Letras (APL), José Nêumanne Pinto, depois de ser eleito ontem, pela manhã, com 29 votos contra três dados ao escritor Pedro Sabino de Farias Neto.
Nêumanne ocupa agora a Cadeira de nº 1 da APL, que ficou vaga por ocasião da morte do dramaturgo Altimar Pimentel, ocorrida em fevereiro deste ano, e cujo patrono é Augusto dos Anjos.
A partir de agora, o jornalista e escritor José Nêumanne Pinto deverá voltar com mais freqüência à Paraíba, como disse ontem.
Radicado em São Paulo, Nêumanne é comentarista do Jornal do SBT e desenvolve outras atividades intelectuais. Mesmo assim, ele disse que fará o possível para vir o maior número de vezes ao famoso chá da tarde, que acontece semanalmente entre os acadêmicos da APL. Eu sou um retirante. E como todo retirante, o sonho é de voltar à terra natal. Vou fazer o maior esforço para voltar mais vezes à Paraíba. Como dizia Zé Américo: Ninguém se perde na volta, afirmou.
Sobre a expectativa que tinha em relação à eleição de ontem, falou: Há sempre uma expectativa muito grande. Como diz o dito popular: de bunda de neném, de cabeça de juiz, de barriga de mulher e de uma urna ninguém sabe o que sai.
Nêumanne também se referiu aos outros concorrentes e destacou a forma ética como foi realizada a eleição. Flávio Tavares, que depois retirou sua candidatura, e Pedro Sabino, são dois adversários éticos, simpáticos, que levaram a luta até o mais alto grau de civilidade. Não gostaria de ter sido candidato único. Sou a favor da luta democrática e isso aconteceu de forma muito decente aqui na Academia, ressaltou.

CRIADA EM 1941

Em 14 de setembro de 1941, o professor Coriolano de Medeiros concretizou o seu ideal de criar a Academia Paraibana de Letras. Inicialmente, a APL contou com 11 cadeiras, número, depois, aumentado para 30. Em 1959, com a reforma dos estatutos criaram-se mais 10, fixando-se, oficialmente, em 40.





Marcus Aranha                       ©Guy Joseph

Só Sabe Deus*
Marcus Aranha**

Aproxima-se o 26 de julho, aniversário da morte de João Pessoa.
Os pouquíssimos parentes remanescentes, em notinhas de coluna social, começaram a cobrar das autoridades governamentais a realização das pálidas solenidades em homenagem a data: a indefectível missa para onde é convocada a banda de música da Polícia Militar e são levados em ônibus fretados, alunos das escolas públicas, numa tentativa de ver se conseguem lotar os assentos da igreja. Tem sido uma luta encher a metade dos bancos da Basílica de N. S.das Neves...
Está na hora de começar escolher igrejas menores, onde, com menos fiéis admiradores do mártir de 30, possam passar a impressão de casa cheia.
A santificação de João Pessoa começa a pifar. A versão dos vencedores da revolução de 30, única e permissiva a ser divulgada, propalada e enfiada a força na cabeça da infância e da juventude a partir daquela época, vem pouco a pouco sendo desmascarada e desmitificada.
Imaginem que pelo Decreto no. 1, de 7 de outubro de 1930, o retrato de corpo inteiro do presidente João Pessoa, passou a fazer parte do material didático das escolas paraibanas. O historiador Humberto Fonseca de Lucena descobriu esta pérola administrativa na Revista do Ensino, abril de 1932, órgão da Diretoria do Ensino Primário. Penduravam a imagem inteira de João Pessoa nas paredes da sala de aula, para adoração dos alunos, da mesma forma como penduravam o crucifixo.
O livro Porque João Dantas assassinou João Pessoa, de Joaquim Moreira Caldas, cuja primeira e única edição de 1934, foi comprada pelas autoridades liberais, que nas livrarias, adquiriam centenas de exemplares e queimavam nos fundos das delegacias, voltou a ser editado em 2005 pela ONG Parahyba Verdade.
Essa segunda edição teve um sucesso estrondoso: esgotou-se em sessenta dias! Ainda hoje o Sebo Cultural, encarregado das vendas, recebe novos pedidos do livro. Nova edição vem aí! É que Joaquim Caldas, diferentemente dos áulicos e dos da família Pessoa não alisa a personalidade da maior figura da Revolução de 30 na Paraíba.
Eis, no linguajar de 1934, o que Caldas relata sobre o João Pessoa, santo que durante dois anos governou nosso Estado:
Praticou todos os desatinos, violências, torpesas. Mandou assaltar cidades; empiquetou estradas para os eleitores oposicionistas não se aproximarem das urnas; invadiu municípios; perturbou eleições; organizou mesas clandestinas; recusou fiscaes; não aceitou protestos; dominou no pleito pelo terror, mandando espingardear adversários e incendiar suas casas!...
Movimentou toda sua Força para commetter desatinos e assassinatos; destruiu propriedades; convulsionou cidades; ensangüentou o sertão; fomentou a discórdia; implantou a anarchia e a mashorca; conflagrou o Estado; espalhou a miséria a dor, e a viuvez com orphandade; desmandou-se contra ordem pública, somente, satisfazer vis rancores, vinganças pequeninas!...
Organizou provisórios com egressos das prisões e cangaceiros que seus amigos alliciavam. Semeou ódios; alargou rios de sangue!...
Desbaratou lares, destruiu vidas, tentou aniquilar dignidades..
Pois é... Por esse ditadorzinho chifrim e perigoso, vão mandar celebrar missa no próximo 26 de julho. Depois, no jardim do palácio do Governo, prestar-lhe homenagem aos restos mortais que, com certeza ali estão.
Agora, aonde anda a alma desse dito cujo, só sabe Deus...


*Transcrito do Jornal Correio da Paraíba, edição de 20 de julho de 2008
** Marcos Aranha é médico e jornalista e escreve no Correio da Paraíba, aos domingos.




Pintura de Van Gogh - Noite Estrelada


A Luz e as Trevas
Bráulio Tavares*

Como sou um cara de temperamento noturno, sempre me incomodei um pouco com a mania das pessoas de identificar as trevas com o Mal. A escuridão é sempre associada ao medo, à ignorância, ao perigo, à maldade, à tristeza. Entendo perfeitamente, mas, como ocorre com toda associação de idéias, ela também pode ser virada às avessas. Tomo como exemplo a frase de Emerson sobre o céu estrelado. Diz ele que se nunca pudéssemos avistar o céu noturno, e um dia de repente isto fosse possível, os homens ficariam deslumbrados e entoariam cânticos de louvor a Deus pela beleza de sua criação. Isaac Asimov inverteu esta plausível proposta em seu conto Nightfall, onde descreve um planeta num sistema de sóis múltiplos, onde, em virtude disto, nunca anoitece. Um dia, uma conjunção de órbitas faz com que um lado do planeta fique às escuras: ao ver as trevas infinitas e as estrelas faiscantes, o planeta mergulha no caos e no terror. E é uma possibilidade tão plausível quanto a outra.
Eu não troco uma noite estrelada por todos os sóis de verão deste mundo, e uma coisa que me incomodava muito no tempo da ditadura militar era a mania da MPB em compará-la à noite, e ficar falando no dia que vai chegar, o sol que vai raiar, esta noite vai ter fim... Meu amigo! Eu acho uma beleza, do ponto de vista visual, a aurora dedirrósea erguendo-se no Oceano Atlântico, mas, pela parte que me toca, o fim de uma noite é sempre uma má notícia.
Pois saibam os adeptos da Luz é que a Luz precisa ser vista à distância. A Luz queima, a Luz mata, ou pelo menos queima e mata àqueles que, iludidos pelo seu brilho enganador, querem nela mergulhar. Perguntem às mariposas de Adoniran Barbosa! Luz é para a gente circular em volta dela, e não para mergulhar de ponta-cabeça como fazem as moscas de botequim naquele néonzinho azul onde se suicidam. Vejam por exemplo o caso de Lúcifer, o anjo da luz, que quis se transformar na Luz propriamente dita e como castigo acabou ricocheteando para o fundo das trevas. O sonho mais vão da Humanidade é tocar a Luz. Mas ninguém toca impunemente o Fogo; e não lembro de parábola mais bela dessa nossa ambição infantil do que o conto de Ray Bradbury Os Frutos Dourados do Sol, onde uma espaçonave vai até o Sol para colher seu fogo e trazê-lo à Terra.
A luz assassinava demais, diz Guimarães Rosa no Grande Sertão. Quem já teve as retinas crestadas pela fornalha nuclear que crepita no zênite sertanejo é capaz de ver na noite um Paraíso, nas trevas uma bênção divina. As trevas são como um sono para um corpo cansado, como o silêncio para ouvidos massacrados pelas cacofonias urbanas. Vivemos numa época cruel, pragmática, interesseira, onde o fazer é considerado um Bem absoluto comparado ao não-fazer; daí que palavras como escuridão e silêncio pareçam a negação da Vida, quando na verdade são a parte oásis dela.

*Bráulio Tavares, é escritor, poeta e compositor
Texto transcrito do seu blog,
Mundo Fantasmo, com permissão do autor





Foto: ©Guy Joseph

Divina Virtude - Gustavo Magno

O poeta, cantor, compositor e escritor, Gustavo Magno, é um nome que se consolida na música popular brasileira de 2007. Misturando canções, reggae, rock e muito pop com leves citações nordestinas e até de bossa-nova e marcha-rancho, Gustavo Magno é um capricorniano nascido em Natal, RN, com formação cultural na Paraíba. Tem espírito cosmopolita e faz música com sabor de filosofia. Foi integrante de uma banda de rock (a Utopia-PB) e gosta de dizer que faz "MPB com espírito de rock". Gustavo Magno, aos 19 anos de idade, foi baixista na gravação do mix "Sociedade dos poetas putos", de Carlos Aranha, sob a regência de Osman Giuseppe Gioia, da Orquestra Sinfônica do Recife. Iniciou sua trajetória como compositor com a apresentação de "Signos, sinais, signos", no VI Festival MPB-Sesc. Um ano depois, participou da abertura do show "Pequeno perfil de um cidadão comum", de Belchior, quando lançou a música "Em terra de cego". Escritor e poeta, lançou os livro "UM" (poemas, artigos e crônicas) e "Todo jornal que eu leio...". Fez shows homenageando o roqueiro Raul Seixas e, por isso, foi convidado por Alceu Valença para uma performance em Olinda na saída do bloco Bicho Maluco Beleza.Gustavo Magno agora lança "Divina virtude", pela Atração Fonográfica, de São Paulo, com direção artística de Belchior. Os arranjos são todos do autor. O CD traz uma adaptação dos "Versos íntimos", de Augusto dos Anjos, e investe na forte poética de José Nêumanne Pinto, em "Barcelona, Borborema". Estes dois trabalhos foram realizados em parceria com o compositor e jornalista Carlos Aranha. Em "Barcelona, Borborema", Gustavo contou com a participação especial do Quinteto Brassil, nos metais, e do próprio Nêumanne, dizendo trecho de seu poema. Em "Divina virtude", Gustavo Magno conservou o seu estilo poético marcante, a partir da faixa de abertura, "Papo virtual", não abdicou do velho rock de sempre, aprofundou-se na contemporaneidade e fez uma interpretação ousada de "Velha roupa colorida", de Belchior.




Foto: ©Antônio David

E se o Adverso de João Dantas Fosse Chamado Esculápio?

*Humberto de Almeida

Até que a influência dos raios solares na menstruação das borboletas não seja descoberta, essa discussão insossa - porém necessária - sobre a mudança do nome de nossa capital ainda vai dar muito pano para as mangas. E aviso que nada tem a vê com aquelas mangas outras das Ruas João Machado e Maximiliano Figueiredo, que os sobreviventes meninos rua e colhedores oportunistas nunca deixa uma só madura beijar a terra que lhe alimenta a mãe.
O assanhamento é geral. Uns querem Cabo Branco; outros, Parahyba, e outros ainda, uma exigência inexplicável, babando pelos cantos da boca, dizem preferir mesmo uma Paraíba nua, sem esse ipisilone que parece está levando uma joelhada do agá, dando-lhe uma aparência de "gente velha".
Existem ainda aqueles que não são do cordão azul nem do encarnado. O importante para eles é a lapinha. Não querem Cabo Branco nem Paraíba. Ou melhor: tanto faz. Outros defendem um nome mais bonito como alvorada, entardecer, borbulhante, caleidoscópio, multicolorido, telescópio, ambivalente e outros menos conhecidos e talvez mais belos. Para eles, claro.
Este escriba, particularmente, nunca imaginou esta cidade com outro nome. Feio como ele, ou mais bonito. Nem mesmo sei em que mudaria se João Pessoa, por exemplo, passasse a se chamar Cabo Branco ou Parahyba. Mas não vou ficar em cima do muro, dividido entre Cabo Branco e Tambáu, e negar que não gosto do nome João Pessoa. Se não bastasse a maneira como foi imposto, é um nome feio. E fim de papo.
Lá no fundo, bem no fundo, onde você mergulha e fica com medo de não ter ar o suficiente para voltar à tona, pense comigo: não seria pior se o desafeto de João Dantas, por exemplo, tivesse sido um sujeito chamado Esculápio, Asclépio, Parmênides, Titirixebas, Chananeco ou Clorisbadeu?
Paraíba, capital Deixa pra lá.
Ser ou Não Ser Puxa-Saco.
Um velho e conhecido puxa-saco de políticos da Província das Acácias com quem tive a insatisfação de trabalhar, costumava dizer que para tudo nessa vida a vocação era necessária.
Para tudo mesmo? Perguntava entre a malícia e a vontade de aprender. E ele, riso de um canto da boca suja a outro, alegria de quem acabou de descobrir uma botija enterrada no fundo do quintal do vizinho, pela madrugada, professoralmente respondia:
- Pra tudo, meu amigo nunca fui amigo do ex-croto -, pra tudo. A vocação é indispensável em todas as áreas. Para um sujeito, honesto ou não, ser um puxa-saco que orgulhe a classe, precisa de vocação. Ser subserviente, babão ele babava ao explicar -, desonesto, corrupto, ladrão e outras "qualidades", a gente traz do berço. É uma herança de família. Mais que isso: é pura vocação!
Uma pena que existem muitos por aí forçando a barra, sem qualquer vocação para o negócio, desmoralizando a profissão. Obtemperei. Ele, porém, não deu a mínima. Ajeitou a gravata, passou o lenço na pasta que carregava, e saiu de mansinho.
A pasta era daquele senador famoso.


*Texto transcrito do site Eu Plural do jornalista Humberto de Almeida.



Som e Sofrimento


Por Ronaldo Monte*

Era véspera de ano novo e eu estava na fila do supermercado. Como sempre, nestes momentos, me distraio escutando o que as pessoas falam ao redor. Mas não era motivo de distração o que ouvi de um senhora atrás de mim: Ai meu Deus, daqui a pouco vai começar a barulheira. Todas as casas da minha rua botam o som nas alturas. Eu não consigo dormir. Fico com uma dor na nuca e uma vontade enorme de vomitar.
Dor e sofrimento. Eis o resultado cabal do desvario a que chegou o uso irresponsável da parafernália sonora ao alcance de qualquer orçamento.
Mas o sofrimento pelo uso do som alto não vitima apenas aos que o escutam involuntariamente. Prestemos atenção aos seus executores. Quando carregam o som na carroceria de suas camionetes, geralmente estão sós, os olhos perdidos muito além do pára-brisa. Quando, em grupo, abrem portas e malas de seus carros na frente de um bar, balançam-se como autômatos, geralmente sem qualquer companhia feminina. Em casa, são deixados a sós na sala pelo resto da família.
É preciso alguém estar muito mal do espírito para infligir a si mesmo, por horas a fio, tamanha tortura. É necessário também uma boa dose de ódio aos seus semelhantes para atacá-los tão agressivamente.
Isto sem falar na qualidade da música, geralmente reduzida a um ritmo primitivo e repetitivo e, quando existe, a uma letra simplória e pornográfica.
Lembrei-me da mulher do supermercado quando, na minha casa de Cabedelo, atravessei a noite do ano novo sob o fogo cruzado de duas baterias sonoropornográficas. Começaram na tarde do 31 e só findaram no começo da noite do dia primeiro. Foram mais de vinte e quatro horas de barbárie.
Exasperado, telefonei para o plantão de polícia para escutar de um sonolento e simpático atendente que o problema não era mais deles. Deu-me o número da Sudema e se despediu com um certo tom de dever cumprido. Disquei para o 88391909 esperando que alguém viesse em socorro do meu meio-ambiente auditivo. Uma voz muito minha conhecida me informou que o número discado estava desligado e não tinha caixa postal.
Desamparado pelo poder público, fui ver o que podia fazer com meu pobre poder pessoal. Me aproximei da casa barulhenta, mas não tive coragem de falar com ninguém. Era um pequeno grupo familiar, com algumas crianças desoladas pelos cantos e um punhado de adultos bêbados de olhares perdidos e passos autômatos. Um quadro mórbido de solidão e sofrimento.
Os problemas causados pelo uso inadequado dos aparelhos de som já se caracterizam como epidêmicos. São, portanto, um caso de saúde pública. Gostaria de fazer alguma coisa mais efetiva para combater esta epidemia. Aguardo sugestões.

*Ronaldo Monte Nasceu em 1947, em Maceió, Alagoas. Com 11 anos de idade foi viver no Recife, Pernambuco, onde mais tarde trabalhou como redator de propaganda. Mora em João Pessoa, Paraíba, desde 1978. Além de poeta e escritor, é psicanalista e professor.

Transcrito do blog do Rona  http://blog-do-rona.blogspot.com/
Imagem obtida em: paginaemconstrucao.blogspot.com






Foto Modificada           ©Guy Joseph/2008


No Reino do Barulho

Por Petrônio Souto*

Vivemos no reino do barulho. Por aqui as pessoas detestam o silêncio. Pior: Se sentem incomodadas com o silêncio, não sabem viver sem ruído por perto. Não é sem razão que o Brasil tem pouquíssimos filósofos. Claro que isso é uma das causas do aumento da violência em nosso país, sobretudo nas grandes cidades.

O barulho estimula a violência. A pessoa submetida a fortes descargas fica excitada, fora de si, predisposta a ter reações animalescas, pelo menos é o que dizem os especialistas. Muitos crimes brutais, praticados pelos motivos mais fúteis, acontecem em um ambiente de barulho intenso.

A violência e o consumo de drogas lícitas e ilícitas têm aumentado até nas outrora pacatas cidades do interior. As causas? Os mil e um carnavais fora de época, “rodeios” (?!) e magashows de bandas de forró (??!!!), receita infalível para embalar farras homéricas de multidões inteiras, reunindo gente de todas as idades. Danado é que essas bacanais muitas vezes recebem patrocínio público, travestido de “apoio cultural.

Em noventa e nove por cento das brigas entre vizinhos a causa é a mesma: Som alto, algazarra, festas que mais parecem orgias, veículos transformados em danceterias ambulantes, modos bizarros de diversão, tudo com o barulho infernal reinando absoluto. Para dormir e (veja só!) estudar, as pessoas ligam o rádio. Para trabalhar, ligam a televisão. Para ouvir música estouram os tímpanos de todos que estão por perto.

Até os cultos religiosos (Santo Deus!!!), onde no passado as pessoas encontravam um ambiente de paz, propício para a oração, para o recolhimento, para o diálogo com Deus, se tornaram verdadeiros shows de roque, espetáculos grotescos de histeria coletiva. A praga devastou até as “gincanas culturais” das escolas e as singelas festinhas de criança.

Agora, em João Pessoa, especialmente em João Pessoa, que é o espaço que me castiga, a gente não tem mais liberdade para viver dentro da nossa própria casa. No chamado recesso do lar, não se pode mais refazer as energias, conversar com amigos que nos visitam, dar um pequeno cochilo, ouvir música em volume civilizado ou assistir a um bom filme. A vizinhança não permite.

Outro exemplo: Usar o celular na rua. O barulho produzido por todas as fontes possíveis e imagináveis é tão intenso, no centro da cidade, que a gente simplesmente não escuta a chamada do celular. E se consegue ouvir a chamada ou tem vibrador no aparelho, não pode se comunicar com razoável naturalidade, tem que ser aos berros, em total descontrole.

Para completar a loucura, surgiram de uns tempos para cá, com a complacência das autoridades, as chamadas rádios comunitárias a cabo, as “rádios de poste”, “emissoras” com uma programação basicamente de música e informação. O estúdio é instalado em qualquer 2x2 do centro. De lá saem quilômetros de fios e caixas de som. Tudo pendurado nos postes de iluminação pública.

Pois bem, as tais “rádios de poste” se juntam aos inúmeros carros de som que trafegam em marcha lenta, engarrafando o trânsito, aos carrinhos de mão do pessoal que vende CDs e DVDs piratas e ao blá blá blá sonoro na porta das lojas, infernizando mais ainda a vida do morador de João Pessoa. A coisa tornou-se insuportável, ultrapassa todos os limites do tolerável.

É certo que a Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura tem feito das tripas coração para coibir os abusos. O telefone 3218-9208 até que funciona. Eu pelo menos já tive algumas experiências bem sucedidas. Mesmo tratando da matéria no Artigo 42, inciso III, da Lei das Contravenções Penais (na realidade um Decreto-Lei de 1941), embora aplicando penas muito brandas aos infratores, está na hora de o legislador encarar a poluição sonora como crime ambiental.

Não bastam apenas as campanhas educativas realizadas pelos administradores mais sensíveis. O legislador, assessorado por bons tributaristas, estabeleceria a melhor forma de punir esses trogloditas do Terceiro Milênio. Multa, multa pesada para as pessoas flagradas perturbando o sossego alheio. A reação da sociedade civilizada tem que ser proporcional ao dano que essa gente deseducada causa.

*Petrônio Souto é jornalista

 


Esquadrilha da Fumaça  ©Guy Joseph

Uma História Natalina

Pelo fato de haver praticamente vivido dos 7 aos 12 anos de idade, dentro de um pequeno Piper Club pilotado por meu pai, histórias sobre aviadores e aviões me são bastante caras. Abaixo, relato da maneira como me foi contada essa História Natalina. Vale ressaltar que até a Segunda Guerra Mundial nós sabíamos perfeitamente quem era o mocinho e quem era o bandido. Hoje, infelizmente...
H.C.

"Naquela manhã de 24 de dezembro de 1943, Charles Brown, de 21 anos, era o comandante do Boeing B-17 do 342º Grupo de Bombardeio em Kimbolton, Inglaterra. Seu B-17 era chamado “Ye Olde Pub” e se encontrava em terrível estado, após ser atingido diversas vezes por fogo antiaéreo e caças durante uma difícil missão de bombardeio de uma fábrica em Bremen, na Alemanha. Todo o equipamento de orientação, bússola, rádio, etc, estavam danificados e o avião absolutamente desorientado, se dirigia perigosamente cada vez mais para dentro do território alemão ao invés de voltar para a base em Kimbolton. Dos dez membros da tripulação sete estavam seriamente feridos e ele próprio sangrava, com um estilhaço encravado no ombro esquerdo.

Após um rasante sobre um aeroporto inimigo, Charlie Brown enquanto guiava o seu agonizante bombardeiro de volta para a base, sentiu o coração gelar quando olhou para a janela direita e viu que um Messerscmidt 109, avião de caça, armado até os dentes, voava junto à sua asa, perigosamente perto do que restava da sua Fortaleza Voadora.

O piloto de caça alemão, Franz Stigler havia sido ordenado a decolar e derrubar o que restava do B-17. Ao se aproximar do quadrimotor, o alemão não pôde acreditar no que estava vendo. Nunca tinha visto uma aeronave em estado tão ruim. Da cauda e da sessão traseira da aeronave pouco restava, o artilheiro de cauda estava ferido. O artilheiro de dorso tinha seus restos espalhados pela fuselagem. O nariz da aeronave estava esfacelado, e havia furos enormes por toda parte. Era só destruição.

Bem armado, Franz voou para o lado da Fortaleza Voadora e olhou fixamente para Charlie Brown que aterrorizado lutava para manter no ar seu destruído e ensangüentado avião. Parecia incrível que aquele B-17 tão despedaçado permanecesse no ar. Brown fazia de tudo para alcançar as costas da Inglaterra há 400 quilômetros dali.

Percebendo que os americanos não tinham a menor idéia de onde se encaminhavam, o piloto alemão começou a balançar as asas indicando que ele deveria virar 180 graus. Assim foi feito e Franz voou ao lado, escoltando o bombardeiro até o Mar do Norte, em direção à base na Inglaterra. Então, inesperadamente ele saudou Charlie Brown e voltou ao continente.

Ao pousar Franz, preencheu os formulários de praxe atestando haver derrubado o B-17 em pleno mar. Ele nunca disse a verdade a ninguém. Na chegada à Base, Charlie Brown e seus tripulantes contaram a verdade no relatório, mas receberam ordens de não comentar o incidente.

Mais de 40 anos se passaram e Charlie Brown não conseguia esquecer o incidente e queria encontrar o piloto da Luftwaffe que tinha salvado sua tripulação. O episódio do piloto alemão que recusou-se a atacar o adversário ferido continuava a lhe perseguir. Brown continuava no firme propósito de encontrar o piloto inimigo que o havia ajudado a chegar a base distante. Franz por sua vez jamais falou sobre a aventura, nem mesmo em reuniões no pós-guerra.

Quis o destino que eles se encontrassem numa reunião do 342º Grupo nos EUA em 1989, junto com outros cinco tripulantes do B-17. Brown escreveu numerosas cartas para fontes militares alemãs, mas teve pouco ou nenhum sucesso. Finalmente, uma pequena nota em jornal de veteranos da Luftwaffe exibiu uma resposta de Franz Stigler, ás de 28 vitórias aéreas. Ele, descobriu-se finalmente, foi aquele anjo misericordioso nos céus da Alemanha naquele fatídico 24 de dezembro, Véspera do Natal de 1943.

Foram 46 anos de espera, mas em 1989 Charles Brown, após uma troca de cartas, encontrou o misterioso homem do Me 109. Sabatinado, Stigler discorreu sobre detalhes comuns aos dois aviadores e não restou a menor dúvida sobre sua identidade. Na sua primeira carta para Brown, Stigler escreve:

- “Após todos esses anos, imagino o que aconteceu com o B-17, ele sobreviveu?”

Sobreviveu, por pouco. Mas porque o alemão não destruiu sua presa, absolutamente indefesa?

- “Não tive coração para aniquilar aqueles bravos homens, disse Stigler. Voei ao lado deles por um longo tempo. Eles tentavam desesperadamente voltar para a Base, e eu ia permitir que o fizessem. Eu não podia ter atirado neles”.

Após a guerra Stigler emigrou, para o Canadá e viveu perto de Vancouver, na Columbia Britânica. Um certo dia Brown voou para lá para uma reunião. Confraternizaram.

- "Ele quase quebrou minhas costelas, tão forte foi o seu abraço, disse Brown”.

Dai em diante os dois se visitaram com freqüência e apareceram juntos em eventos militares nos EUA e Canadá. No Air Force Ball de Miami em 1995, os dois receberam diversas honrarias. Franz Stigler faleceu no dia 22 de março de 2008, aos 92 anos de idade.

Toda essa história aconteceu porque Franz Stigler não disparou suas armas naquele dia."

Um Feliz Natal para todos.

hucaldas@gmail.com
newbulletinboard.blogspot.com

Transcrito do blog Unlimited de Hugo Caldas. Hugo é paraibano, mora no Recife e fez teatro na época do Teatro do Estudante da Paraíba.




 Foto modificada de ©Guy Joseph

Reflexão de final de ano: meu trabalho é diversão!

Mauro Nunes*

 

"Aproveite o final de ano! Tempo saudável e de muitas reflexões. Exercite a mente e aprenda a gostar do que faz. Transforme tudo em diversão e continue contribuindo para um mundo mais alegre, mais saudável, mais amoroso e de paz, muita paz"
Construí, desde muito cedo, o hábito de aprender a gostar do que faço. Evito usar, por resistências naturais, a palavra “trabalho”. Ela está e sempre esteve associada a esforço, cansaço, obrigação, suor do rosto como explicita com clareza a bíblia.
Em nossa cultura trabalho é algo que lhe faz, por por imperiosa obrigação, se engalfinhar todos os dias para sobreviver. Como costumam dizer hoje “sair para matar um ou vários leões todos os dias”.
Para muitos muitos “trabalhar” é guerrear, é entrar em uma arena romana para lutar e enfrentar ferozes inimigos e sair vivo, cotidianamente.
Sempre mantive a convicção, de moto próprio, de que o trabalho diário constitui-se em um exercício físico e mental que lhe faz sentir vivo, desenvolve e fortalece suas capacidades naturais, presentes no corpo e na mente.
O tal trabalho fortalece e revigora suas células, enriquece seus neurônios, lhe faz sentir entre os que contribuem para transformar o mundo. Você se sente e é visto como colaborador da melhoria da qualidade de vida, sua e dos que lhe cercam.

Elaborei mentalmente a idéia de que “trabalho” é igual à diversão. Eduquei mente e corpo para internalizar o sentimento de que tudo é e sempre foi uma grande e vibrante diversão diária.
Nunca digo “vou trabalhar”. Vou me divertir é mais estimulante e energizante. Alimenta minha programação mental. Diversão expressa alegria, felicidade, tranqüilidade, humor, paz, amor e outras palavras construtivas do rico vocabulário da língua portuguesa que expressa o bem-viver.
Aos meus filhos, quando vão para a escola, sempre digo vão e se divirtam a valer com o saudável aprendizado de cada dia. Divirta-se estudando, para depois aplicar o divirta-se trabalhando.
Fazendo uma retrospectiva de minha vida de “diversão” o inventário de realizações pode ser considerado de ótimo valor. Ter assumido tudo como diversão valeu por demais. E já se foram mais de 40 anos! Continuo incentivando mente e corpo. Continuo gostando, e muito, do que faço!
Ora, há uma imensa vantagem para quem gosta do que faz: não precisa trabalhar! Você se diverte e ainda lhe pagam por isso. Se você “trabalha” com ou para alguma coisa aprenda a gostar do que faz. Só assim você não precisará trabalhar.
Se tomar a decisão de assumir essa atitude, tenha certeza, os êxitos e sucessos lhe chegarão com maior rapidez. Sua qualidade de vida passará por uma transformação que irá lhe surpreender e a todos que lhe são próximos.
Para finalizar, tenho certeza que a maioria da população não conhece a etimologia da palavra trabalho. Contudo, como o encaram todos achariam muito natural se soubessem que ela está ligada, em sua origem, a uma forma antiga de tortura